Produtividade e decisão: Os desafios da complexidade no B2B

O conceito de ponto de fricção estrutural explica por que empresas B2B perdem produtividade mesmo em contextos de crescimento. Quando a complexidade supera a capacidade de decisão da organização, surgem centralização excessiva, reuniões improdutivas e queda de autonomia. O artigo analisa como arquitetura decisória e liderança estratégica são determinantes para sustentar escala em ambientes complexos.

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Escalar uma empresa B2B exige mais do que mercado favorável ou demanda aquecida. Exige uma arquitetura organizacional capaz de absorver decisões com ritmo, clareza e autonomia, especialmente em ambientes de alta complexidade.

O conceito de “ponto de fricção estrutural”, desenvolvido por Daniella Portásio Borges, CEO da Butterfly Growth e publicado na HSM management fala que parte da constatação de que muitas empresas B2B não perdem produtividade por falta de mercado ou de talento, mas por incapacidade de administrar a complexidade que o próprio crescimento gera.

Complexidade: diferencial competitivo que pode se tornar entrave

Empresas B2B operam, em grande parte, em ambientes caracterizados por ciclos de venda longos, múltiplos decisores, alto risco percebido pelo cliente e impacto operacional relevante após o fechamento do contrato. Esse conjunto de fatores transforma a complexidade em barreira de entrada e diferencial competitivo.

No início da trajetória, essa complexidade funciona a favor da organização. Produtos difíceis de replicar, serviços intensivos em conhecimento e operações sofisticadas afastam concorrentes menos preparados. O desafio surge quando a complexidade externa cresce mais rápido do que a capacidade interna de organização.

À medida que a base de clientes se amplia, o portfólio se diversifica e as interdependências aumentam, decisões que antes eram resolvidas por proximidade entre fundadores ou por conhecimento tácito passam a exigir critérios claros, papéis definidos e sistemas capazes de sustentar escolhas recorrentes. Quando esse ajuste estrutural não ocorre, o crescimento desacelera, a previsibilidade diminui e a escala deixa de ser sustentável.

O ponto de fricção estrutural

O ponto de fricção estrutural ocorre quando a complexidade interna supera a capacidade da empresa de tomar boas decisões de forma consistente. Nesse estágio, adicionar pessoas, sistemas ou processos deixa de resolver o problema e passa a aumentar o custo de coordenação.

Fundadores e líderes seniores são acionados com frequência crescente para resolver temas que deveriam estar distribuídos na estrutura. A autonomia diminui, a velocidade cai e cada novo avanço exige mais esforço, mais alinhamentos e mais exceções. A empresa pode continuar crescendo em receita, mas o sistema já não sustenta a operação com fluidez.

Um dos sinais mais evidentes dessa fricção é a proliferação de reuniões improdutivas. Reuniões deixam de ser instrumentos de decisão e passam a funcionar como mecanismos de compensação estrutural. Decisões rotineiras passam a demandar validações cruzadas e discussões prolongadas porque o sistema não oferece clareza sobre quem decide, onde decide e com base em quais critérios.

Nesse contexto, produtividade deixa de ser apenas eficiência operacional e passa a depender diretamente da eficiência decisória.

Arquitetura decisória começa pela arquitetura de liderança

Se a fricção estrutural se instala quando a organização perde a capacidade de absorver decisões com consistência, a questão central passa a ser estratégica: quem ocupa as cadeiras responsáveis por sustentar essa complexidade?

Em empresas B2B, especialmente aquelas que atuam com contratos de alto valor, múltiplos stakeholders e impacto operacional relevante após a venda, a maturidade da média e da alta gestão é determinante para transformar complexidade em vantagem competitiva. Não se trata de ampliar estruturas indiscriminadamente, mas de estruturar liderança com clareza de papéis, autonomia distribuída e critérios explícitos de decisão.

É nesse ponto que a deBernt se posiciona como parte da solução. Atuando com recrutamento executivo, desenvolvimento de média e alta gestão e programas estruturados de recolocação profissional, a deBernt trabalha diretamente na interface entre decisão estratégica e arquitetura organizacional. Ao conduzir processos orientados por método, diagnóstico e evidências, a empresa contribui para que decisões sobre liderança deixem de ser reativas e passem a integrar a governança do negócio.

Quando uma organização enfrenta crescimento acelerado, fragmentação interna ou perda de coerência estratégica, a escolha ou o reposicionamento de executivos não é apenas uma movimentação de pessoas, mas uma redefinição de capacidade decisória. Nesse sentido, recrutamento executivo e desenvolvimento de liderança tornam-se instrumentos de sustentação da escala.

Complexidade bem administrada como vantagem competitiva

Administrar bem a complexidade não é um tema abstrato. É um fator direto de produtividade, previsibilidade e sustentabilidade organizacional. Empresas que conseguem transformar complexidade em sistemas claros de decisão mantêm autonomia, velocidade e coerência mesmo em ambientes exigentes.

O ponto de fricção estrutural antecede crises financeiras. Ele surge quando a organização ainda apresenta bons indicadores de receita, mas já opera com desgaste interno crescente. Ignorá-lo ou tratá-lo como fase passageira é adiar um problema que tende a comprometer a escala no médio prazo.

Para empresas B2B, o desafio não é eliminar a complexidade, mas estruturá-la. E estruturar complexidade exige decisões maduras sobre modelo organizacional, governança e, sobretudo, liderança. É nesse alinhamento entre estratégia, decisão e pessoas que reside a diferença entre crescer com atrito e escalar com consistência.