O novo critério de decisão executiva: Como os executivos estão pensando sobre IA em 2026

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Pesquisa da Harvard Business Review mostra que executivos seguem otimistas com a inteligência artificial em 2026, apesar de desafios ligados à cultura, governança e preparo das pessoas. O estudo revela avanços na adoção, geração de valor e institucionalização da IA, ao mesmo tempo em que aponta a dimensão humana como principal obstáculo à transformação sustentável.

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O avanço da inteligência artificial deixou de ser uma promessa futura e passou a ocupar o centro das decisões estratégicas das grandes organizações. À medida que 2026 se aproxima, cresce o debate sobre retorno real dos investimentos, maturidade organizacional e, sobretudo, a capacidade das empresas de transformar tecnologia em valor sustentável.

Essas reflexões são aprofundadas em artigo publicado pela Harvard Business Review, assinado por Randy Bean e Thomas H. Davenport, ambos referências globais em dados, tecnologia e gestão. A partir da mais recente edição da Pesquisa Anual de Benchmarking Executivo em IA e Dados, o estudo reúne a visão de mais de 100 executivos C-level de grandes empresas globais e oferece um retrato preciso sobre otimismo, avanços e dilemas que cercam a agenda de IA.

O otimismo permanece, mesmo com novas dúvidas

Três anos após a popularização da IA generativa, especialmente com o lançamento do ChatGPT, seria razoável esperar um arrefecimento do entusiasmo. No entanto, a pesquisa aponta o oposto. Noventa e nove por cento dos executivos afirmam que dados e IA seguem como prioridade máxima em suas organizações, e praticamente todos planejam ampliar investimentos.

Esse otimismo não é apenas retórico. Mais da metade das empresas já declara obter valor comercial alto ou significativo com IA, enquanto o grupo que percebe pouco ou nenhum retorno encolheu drasticamente. A tecnologia deixou a fase de experimentação para se tornar parte integrante da estratégia corporativa, com aplicações em escala crescente e impacto mensurável nos resultados.

A institucionalização da IA nas estruturas organizacionais

Um dos sinais mais claros dessa consolidação está na evolução das lideranças dedicadas ao tema. Noventa por cento das empresas já contam com um Chief Data Officer, o maior índice desde o início da pesquisa. Além disso, cresce o número de organizações que criaram o cargo de Chief AI Officer, ainda que a definição de sua posição hierárquica siga pouco clara.

Essa indefinição revela um ponto sensível. Em muitas empresas, a responsabilidade pela IA está fragmentada entre áreas de tecnologia, negócios e transformação, o que dificulta a governança e pode diluir a percepção de valor. O debate sobre a necessidade de funções unificadas de dados, analytics e IA ganha força exatamente para responder a esse desafio estrutural.

A adoção acelera, mas a maturidade ainda é desigual

Os dados mostram um avanço expressivo na adoção prática da IA. Em apenas dois anos, o percentual de empresas com IA em produção em larga escala saltou de 5% para 39%, enquanto 94% afirmam já ter superado a fase de testes isolados.

Além disso, o interesse por IA impulsionou um foco maior em dados, reconhecendo que não há inteligência artificial eficaz sem bases informacionais sólidas. Governança, qualidade de dados e salvaguardas éticas também avançaram, com 90% das empresas declarando já possuir mecanismos formais de controle e responsabilidade.

A dimensão humana segue como principal obstáculo

Apesar do progresso tecnológico, o maior desafio não está nos algoritmos. Noventa e três por cento dos executivos apontam fatores humanos, como cultura, gestão da mudança e preparo das pessoas, como o principal entrave à adoção efetiva da IA.

O medo da substituição de postos de trabalho, a escassez de investimentos em requalificação e a dificuldade de engajar equipes em novos modelos operacionais criam tensões reais. A pesquisa sugere que, sem enfrentar essas questões, os ganhos técnicos tendem a encontrar limites organizacionais difíceis de transpor.

Nesse contexto, cresce a discussão sobre a aproximação entre as agendas de IA e de pessoas, seja por meio de maior colaboração com áreas de Recursos Humanos, seja pela criação de estruturas híbridas que integrem tecnologia, cultura e desenvolvimento organizacional.

O que o horizonte de 2026 revela

Mesmo diante das dificuldades, o horizonte segue amplamente positivo. Oitenta e três por cento dos executivos acreditam que a IA será a tecnologia mais transformadora de sua geração, e 97% enxergam impacto líquido positivo no longo prazo.

A mensagem central do estudo é clara. O sucesso da IA em 2026 não dependerá apenas de mais investimento ou modelos mais avançados, mas da capacidade das organizações de alinhar estrutura, governança e pessoas. A tecnologia está pronta. O desafio agora é humano, organizacional e estratégico.