O custo de uma contratação executiva errada vai muito além do salário pago durante o período de baixa entrega. Inclui decisões represadas, times desmotivados e projetos sem impulso, impactos que raramente aparecem no balanço. Há ainda o custo de não contratar, a posição vaga por meses enquanto a decisão é adiada. Com 80% dos empregadores brasileiros relatando dificuldade para encontrar os profissionais de que precisam, o gap não é de talento, mas de modelo de contratação. Contratos por projeto, part-time executivo e lideranças de transição são alternativas legais, regulamentadas e estratégicas para quem entende que calibrar bem uma contratação é menos sobre encontrar o melhor profissional disponível e mais sobre encontrar o mais aderente ao que a organização precisa agora.
Todo CFO sabe quanto custa uma contratação. Poucos sabem quanto custa uma contratação errada.
O custo visível é mensurável: processo interrompido, integração desperdiçada, produtividade perdida. Para posições executivas, esse número se multiplica por toda a estrutura abaixo. Mas não é o mais danoso.
De acordo com artigo publicado na HSM Management, por Juliana Ramalho, CEO da Talento Sênior e sócia-fundadora da Talento Incluir, profissional com 20 anos de experiência no mercado financeiro, passagem pelo banco Santander e formação pela Escola Politécnica da USP, com MBA internacional pela Columbia Business School, a discussão sobre custo de contratação precisa ir além do óbvio.
Sua trajetória, que combina operação executiva, inovação e expansão internacional, oferece uma leitura pouco comum sobre o tema: o custo que mais prejudica as empresas raramente aparece nos relatórios financeiros.
O que o balanço não mostra
Todo CFO sabe quanto custa uma contratação. Poucos sabem quanto custa uma contratação errada. O custo visível inclui o processo interrompido, o treinamento desperdiçado e a produtividade perdida. Para posições executivas, esse número se multiplica por toda a organização.
Há ainda o custo invisível, e é o mais danoso. Quando um executivo errado ocupa uma cadeira estratégica, ele não apenas deixa de entregar. Ele atrasa. Decisões que deveriam ter sido tomadas em seis meses ficam represadas por dezoito. Times que deveriam crescer perdem motivação. Projetos críticos perdem impulso.
O custo do adiamento
Existe um terceiro custo, o mais silencioso de todos: o custo de não contratar. A posição que fica vaga por meses porque a empresa não encontra o perfil certo no formato que pode absorver. Enquanto a decisão é adiada, a conta do mês continua chegando.
Os líderes que entenderam isso primeiro mudaram a pergunta. Em vez de buscar o executivo certo para um cargo permanente, passaram a perguntar qual problema precisam resolver e quem já resolveu algo semelhante antes. Uma mudança sutil, com impacto significativo.
O gap não é de mercado. É de método.
Dados do FGV IBRE mostram que mais de 62% das empresas brasileiras enfrentam dificuldades para contratar profissionais qualificados. Ao mesmo tempo, há no Brasil um volume expressivo de executivos experientes disponíveis e prontos para resolver problemas específicos.
A reforma trabalhista de 2017 abriu espaço para contratos por projeto, part-time executivo e lideranças de transição. É legal, seguro e regulamentado. O que ainda falta, em muitos casos, é a decisão de quem lidera.
O que a deBernt observa nesse ponto
Uma contratação errada no nível da liderança raramente é um problema de currículo. É quase sempre um problema de leitura: do contexto da organização, da maturidade da equipe, da complexidade do momento e do que aquela cadeira realmente exige.
Como esse executivo decide sob pressão. Quais critérios ele prioriza quando os recursos são limitados. De que forma ele influencia o ambiente ao seu redor.
Calibrar bem uma contratação executiva é menos sobre encontrar o melhor profissional disponível e mais sobre encontrar o mais aderente ao que aquela organização precisa agora.
A diferença entre os dois define o resultado.